sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sim, José nascimento, nossa palavra garçom é tomada diretamente do francês garçon, que tem a acepção primária de “moço, garoto, jovem do sexo masculino”.
Nosso sentido moderno de garçom (“empregado encarregado de servir as pessoas em restaurantes, cafés, coquetéis, residências etc.”, na definição do Houaiss) passou a ser usado em francês em meados do século XVIII, segundo o Trésor de la Langue Française, e entre nós no último quarto do século XIX, tempo de galicismos em profusão. Os puristas chiavam, mas não podiam evitar que muitas palavras deitassem raízes no português.
Antes disso, desde o século XIII, já se registrava em nosso idioma o vocábulo garção, hoje praticamente em desuso, mas apenas na acepção de “moço”.
É curioso observar como a sombra do empregado, do serviçal, daquele que trabalha atendendo os outros, esteve presente desde o início no francês garçon, uma palavra oriunda do frâncicowrakkjo (“vagabundo”) e que em sua primeira encarnação era grafada garçun.
Segundo o mesmo TLF, citado acima, o sentido mais antigo de garçun, datado do ano 1100, era “rapaz de classe social inferior, especialmente no exército, na cozinha, na caça”. No francês antigo, explica o dicionário, valet e garçon eram palavras carregadas de sentido de classe: “A criança nobre era chamada valet, e a criança de classe social inferior, garçon”.
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