No dia do garçom, histórias da profissão
Há quem tenha servido de Sarney a Lula. Quem reclame do horário ou do freguês. E quem tenha criado laços de amizade
Publicado em 12/08/2008 | PAOLA CARRIELNada de servir
Dois eventos marcaram a comemoração do dia dos garçons ontem em Curitiba. O primeiro foi a tradicional corrida para ver quem é o trabalhador mais rápido, que já está na décima edição. O segundo foi um jantar dançante, organizado para que eles ficassem de folga: quem serviu foram os colegas que trabalham em outros ramos dos bares e casas noturnas. A corrida ocorreu em Santa Felicidade, às 9h30, e reuniu cerca de 200 participantes. Foram criadas quatro categorias e os concorrentes tinham que passar por obstáculos, como servir refrigerante a um convidado e não derrubar nenhuma das três garrafas PET da bandeja. Os vencedores de cada categoria ganharam prêmios de R$ 700. Os primeiros colocados foram Valdair Bueno, Lauro Gilinski, Ulisses Oliveira Prado e Marcela Cunha.
O horário de trabalho é uma das principais reclamações da categoria. A maior parte dos garçons trabalha aos fins de semana e feriados e muitas vezes não tem hora para voltar para casa. “Tem casos em que a festa vai até as 5 horas da manhã e temos de ficar trabalhando”, diz Carlessi. O garçom Paulo Batista trabalha na área há 26 anos e conta que ele e a esposa tiveram de fazer uma adaptação para passar mais tempo juntos. “Tiramos folga no mesmo dia e transformamos o meio da semana no nosso fim de semana”, diz.
O presidente da regional paranaense da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Fábio Aguayo, afirma que o horário causa grande dificuldade para o retorno dos profissionais para casa. “Nossa sugestão é criar uma linha de ônibus interbares, que beneficiaria tanto os clientes quanto os trabalhadores”, propõe.
Entre tapas e beijos
A relação entre clientes e garçons pode gerar também laços de amizade. Foi o que aconteceu com o motorista Miguel Veiga. Ele vai toda semana ao mesmo restaurante. “Sempre sou atendido pela mesma pessoa. Depois de tanta conversa, nos tornamos amigos.” Contudo, alguns clientes reclamam. O engenheiro Luiz Paulo de Souza conta que já passou por situações incômodas de espera em alguns restaurantes da cidade. “Quando o movimento está grande, há demora em achar mesas e fazer os pedidos”, diz. Ele acredita que um bom garçom atende com presteza e sem demora.
Mas do outro lado também há reclamações sobre a freguesia. “Tem gente que chega mal-humorado e desconta na gente. E reclamam de tudo, do ambiente, da comida e da demora”, diz Álvaro Antonio da Silva, o Lambari, na profissão há mais de 20 anos.
Outra polêmica relacionada à profissão dos garçons é o pagamento da taxa de 10%. Alguns estabelecimentos cobram este valor também sobre o preço da entrada e do estacionamento. “A taxa só pode ser cobrada sobre os alimentos e bebidas. O pagamento é facultativo e os proprietários devem deixar isso bem claro”, diz Fábio Aguayo. Ele afirma que, apesar de muitos clientes serem contra a taxa, ela é uma forma de os garçons ganharem mais. “Há casos que, dependendo do movimento, o profissional pode ganhar até R$ 3 mil.”
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